O presidente da Câmara Municipal do Porto Santo (CMPS) exigiu esclarecimentos ao Governo da República sobre os constantes cancelamentos das ligações aéreas entre a Madeira e o Porto Santo, uma situação “anormal”, “inédita” e “inaceitável” que têm afetado dezenas de pessoas e a economia da ilha.
“Até ao momento, ainda não tivemos qualquer reposta oficial acerca do ponto de situação da concessão da linha aérea, uma responsabilidade direta e exclusiva do Governo da República Portuguesa”, disse Idalino Vasconcelos, na conferência de imprensa que decorreu esta tarde no Município do Porto Santo.
Por isso, o autarca do PSD solicitou uma audiência com o Ministro do Planeamento e Infraestruturas, o responsável direto pelo cancelamento de 16 voos entre as ilhas do arquipélago em apenas sete dias.
“É totalmente inaceitável que desde o dia 7 de agosto até este momento tenham sido cancelados 16 voos, repito 16 voos, sendo que o motivo alegado pela Companhia Aérea sejam as condições meteorológicas,” frisou o autarca porto-santense, reprovando que os cancelamentos aconteçam “apenas entre as ligações aéreas entre o Porto Santo e o Funchal, quando os outros voos, para outros destinos, inclusivamente Canárias, operam normalmente”.
Reforçando que o Porto Santo depende “fortemente” dos transportes aéreos e marítimos, Idalino Vasconcelos reiterou que qualquer cancelamento injustificável é um “entrave à mobilidade dos passageiros, em particular, todos os porto-santenses, onde se incluem crianças, idosos e doentes de cadeira de rodas e ainda o transporte de mercadorias, tais como os medicamentos”, para além do Porto Santo estar a ser “largamente lesado” na economia e na imagem da ilha, especialmente num ano em que se comemora os 600 anos do seu descobrimento.
Neste sentido, o presidente da Autarquia solicitou também hoje a intervenção do Presidente da República. “A companhia de aviação Binter, alegadamente, está a escudar-se nas condições meteorológicas. Da parte do Governo Central ainda não há uma resposta oficial, razão pela qual, solicitei hoje mesmo, por correio electrónico e carta registada, a intervenção do Senhor Presidente da República Portuguesa, e demos conta que não podemos aceitar que o princípio da continuidade territorial, inscrito na Constituição seja cilindrado.”
Idalino Vasconcelos rematou: “Porque aqui também é Portugal e esta ilha não merece tamanha desconsideração, quer pelo Governo da República, quer por qualquer companhia aérea, fica aqui registado o nosso mais total repúdio com o tratamento com a ilha do Porto Santo.”





