O deputado municipal João Paulo Marques afirmou hoje que, "se em 2013, o rumo da Câmara era traçado em função do passado, a partir de 2017, ele simplesmente deixou de existir". "Hoje o Funchal navega à vista, sem destino certo, pois o seu Presidente, apesar de presente, há muito que abandonou o leme da cidade", disse o autarca na sessão solene do dia da Cidade do Funchal.
João Paulo Marques salientou que, "se os funchalenses garantiram a esta Câmara condições absolutas de governabilidade, o mínimo que V. Exas. podem fazer é governar e dar um rumo à cidade do Funchal".
Segundo o deputado municipal, "a cidade é gerida ao ritmo dos avanços e recuos de quem não pode, de quem não quer se comprometer com nada". Deu como exemplo o caso da taxa turística para o Funchal, anunciada pela Câmara em março como uma medida fundamental para a estratégia de turismo para a cidade. Apesar do anúncio, sublinhou, a autarquia não falou previamente com os parceiros, não sabia qual seria o valor da taxa, nem sequer a receita que poderia gerar. Passado um mês, a taxa passava de fundamental a adiada para o final de 2019.
O mesmo destino teria a polícia municipal. João Paulo Marques lembrou que esta foi anunciada em 2016, como a resposta para a ocupação indevida de espaços públicos. Contudo, "em 2018, continuamos sem saber quantos elementos terá, quanto custará ou sequer quem a irá pagar. Curiosamente, a mesma Câmara que estava preocupada com os espaços públicos, anunciou que levará entre 2 a 5 anos a aplicar o seu regulamento de esplanadas."
Mas, mais grave, disse, "é a incapacidade desta Câmara em construir a ETAR do Funchal". "Passados mais de 3 anos e esgotados todos os prazos impostos pela União Europeia, começa a formar-se uma nuvem negra sobre a cidade do Funchal. A mesma nuvem negra que chegou a Matosinhos, acompanhada de uma multa de 3 milhões de euros e de uma sanção diária de 8 mil euros até a conclusão da obra. Quando a multa chegar ao Funchal, saberemos muito bem a quem pedir a conta."
O Funchal é hoje, de acordo com o deputado municipal, "uma cidade em suspenso". "Parada num tempo que podia ser o seu, mas que não é porque está refém de uma estratégia que coloca a carreira política de uma pessoa à frente dos interesses da cidade. Sejamos muito claros. O Funchal é uma cidade sem rumo, porque tem um presidente em part-time".
É, por isso, que João Paulo Marques diz sentir-se na obrigação de lhe dirigir algumas palavras. "Ao contrário do que muitos pensam, alguns até do meu partido, não me sinto no direito de criticá-lo por querer abraçar outro desafio político. Ainda que o faça quebrando o compromisso assumido com as pessoas. Acredito, piamente, que cada um é livre de escolher o seu caminho. Da mesma forma que acredito que caberá aos eleitores fazer esse juízo e que esse julgamento, mais tarde ou mais cedo, chegará. O que não posso admitir, Sr. Presidente, é que mantenha a minha cidade, a nossa cidade, parada à espera do momento em que V. Exa. finalmente assumirá aquilo que todos já sabemos – o seu coração já não está no Funchal". Por isso, aconselhou, "Sr. Presidente da Câmara, faça um favor à cidade, faça um favor a todos os funchalenses - siga o seu coração e siga com a sua vida!"
Antes, afirmou o autarca, deve tomar duas decisões: "Primeira, devolva a dignidade à freguesia e a todas as pessoas que vivem no Monte. Aquilo que as pessoas esperam de nós, não é que estejamos sempre de acordo, mas que, no final do dia, prevaleça sempre o interesse daqueles que representamos. Ora, não é do interesse de ninguém que o Monte esteja desde Março sem receber um cêntimo da Câmara. Sr. Presidente, está nas suas mãos, assine o contrato e ajude quem vive no Monte.
Segunda decisão, ponha fim à matança de árvores inocentes na cidade do Funchal. Cada árvore injustamente derrubada, é um atentado à memória que hoje celebramos. O que está em causa é a nossa identidade, aquilo que nos torna numa cidade única e que depois destes abates, levará décadas a recuperar. Sr. Presidente, ainda vamos a tempo de parar com esta loucura. Não queira que a sua herança no Funchal, seja a de uma cidade sem árvores. Os madeirenses nunca lhe iriam perdoar."
João Paulo Marques salientou ainda que o PSD tem "uma visão diferente para a cidade" e defende "um rumo alternativo para o Funchal". "Um rumo com mais investimento na cidade e menos impostos para as pessoas. Com mais limpeza e aprumo nas ruas e com menos publicidade nos jornais. Ainda assim, isso não nos impede de participar, de forma construtiva, na governação do Funchal, aprovando o que for positivo para a cidade."
É esse o trabalho que tem sido feito na Câmara e na Assembleia Municipal. Porém, garante, a missão que os funchalenses confiaram aos social-democratas obriga-os "a uma fiscalização imparcial e constante da governação da cidade. Custe o que custar, doa a quem doer". E assim sendo, "não contem com o PSD para passar um cheque em branco a esta vereação. Não seremos nós a remediar o que esta Câmara não consegue resolver".
Por seu lado, o presidente da Assembleia Municipal do Funchal, Mário Rodrigues, eleito pelo PSD, relevou a componente histórica da efeméride que se assinala, felicitando todos os que constituem a cidade, os funchalenses. Contudo, salientou que a recente transferência de competências para as autarquias locais, alvo de contestação regional, e também de alguns setores ao nível nacional, "será talvez o equivalente ao descontentamento de há cinco séculos que hoje, no nosso estatuto europeu, se enquadra no princípio da subsidiariedade".





